
Semana passada fiz uma coisa típica do interior: saí a pé do trabalho e fui comer pizza na casa de duas amigas de infância. Há anos eu não via essas meninas, e o nosso encontro foi regado a nostalgia e muitas risadas:
"lembram das tardes inteiras brincando de Barbie?"
Como nove em cada dez meninas daquela época (dados chutados por esta que vos fala), nosso passatempo principal era brincar de
Barbie. Cada uma ainda tinha as suas bonecas prediletas e algumas histórias que se repetiam. A que eu mais gostava era a empresária - ela tinha uma rede de lojas e uma lanchonete, era sempre muito decidida, andava de Porsche pink e morava em uma bela mansão. Eu achei que ia ser igual a ela um dia (e quem sabe eu seja mesmo, hein!), só que hoje
eu estou mais para Barbie Noiva, preocupada com o vestido, em busca do sapato ideal e a combinação certa de adereços. E ali estavam as "Barbies" de vinte e tantos anos trocando figurinhas.
- "Ah, eu quero casar também, mas meu namorado ainda não!"
Acontece. Foi engraçado ser sabatinada por elas sobre os preparativos do casamento - contar como aconteceu nossa decisão, as coisas que faltam, as que já temos (temos? rs), as expectativas, o estilista "animadinho" que me ajudou a escolher o vestido e como minha mãe se emocionou ao me ver de noiva ao som da Marcha Nupcial. Mas, se é tão legal, porque o povo está fugindo de casar? Deve haver outros, mas eu arriscaria três pontos:
1) Tudo bem...: esses tempos estava passando na TV uma campanha da Ford que mostrava pessoas que aceitavam qualquer coisa, a revelia da sua vontade. Pessoas boazinhas, acomodadas, ou de acordo com a mensagem do comercial, que sabiam que não poderiam ser exigentes. Olha, cada caso é um caso, mas tem gente por aí dizendo "tudo bem se você não quiser um compromisso mais sério comigo", ou "tudo bem se primeiro você quer se estabilizar na vida", ou "tudo bem se é difícil sair da casa dos pais" ou até "tudo bem se você tem medo". Não é ruim exigir algo a mais da pessoa que ama, pelo contrário, é sinal de que o relacionamento amadureceu e que ambos tem consciência de que o compromisso pede progressos contínuos, diariamente.
Eu sei que a responsabilidade é grande, e quando eu olho o meu futuro eu também vejo um "tudo bem...", mas só que no fim da frase: decidimos, fizemos, aprendemos, abdicamos, crescemos, e agora sim, está tudo bem!
2) É muito caro...: gente, caro é sair todo o final de semana, usar roupa de grife ou usar batom importado. Desafio você a se lembrar da história dos seus pais. A maioria deles casaram-se com orçamento apertado, sem muitas regalias, contruiram uma família, criaram os filhos, compraram a casa própria em umas 120 prestações e estão aí, fazendo a alegria dos netos. Há 40 anos atrás, os casais não se preocupavam tanto com conta de celular, TV a cabo ou cartão de crédito, essas mordomias que mordiscam nosso salário sem a gente perceber. Casar deixou de ser possível? Basta analisar o que é mais importante: contruir uma vida ao lado de quem amamos ou passar um tempo sem saber o final da temporada de SmallVille?
3) É para o resto da vida...: um professor da pós contou o caso de uma senhora que comprou centenas de tubos de Kolynos quando soube que a marca ia ser extinta: "é o melhor creme dental que existe! não posso ficar sem!". Ela investiu uma boa grana, e a relação é simples: se é bom, quero ter para sempre. Seu relacionamento é saudável, divertido, responsável, amoroso? Vocês tem planos juntos, são maduros, se programam financeiramente? Puxa, então ele é bom! Se é bom, por que não tê-lo para sempre?
Minha inteção não é aproveitar meu momento de euforia (e vocês queriam que eu estivesse como há 2 meses do meu casório? rs) para fazer apologia ao casamento, basicamente porque ele não precisa disso. O casamento é bom em sua essência. O cuidado que teremos com esse bem precioso ao decorrer das nossas vidas é que vai determinar a sua história. Só que acho que hoje a gente complica demais as coisas. Na minha infância, a Barbie era mais direta: a empresária era bem sucedida, a esportista sempre ganhava suas competições e a noiva... essa sim, era feliz para sempre!
PS1: meninas, amo vocês! reencontrá-las em plena metrópole me fez um bem imenso. Obrigada por fazerem parte da minha história!
PS2: calma criançada, não estou incentivando casamentos em massa aqui. Sim, o tal do matrimônio é coisa séria. Pensem, analisem, sonhem e peçam que Deus oriente em qualquer decisão. E namorar é bom demais e uma fase muito legal da vida de um casal - nada de queimar etapas! :-)